Chamada de Trabalhos Mejor 2013

II Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo

Estatutos, carreiras e normas

Chamada de trabalhos

Local: Natal, Rio Grande do Norte, Brasil

Data: 7 a 10 de maio de 2013

Submissão de propostas até: 15 de novembro de 2012

Realização: Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Departamento de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Parceria: Departamento de Comunicação Social da UFRN, Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e Réseau d’Études sur le Journalisme (Rede de Estudos sobre o Jornalismo/REJ)

1. Tema do Colóquio

Pressionado pelas mudanças nas tecnologias, pela aceleração do tempo de produção, circulação e consumo da informação; pela precarização das relações de trabalho; pelas transformações nas rotinas produtivas e das relações com as fontes, o jornalismo passa por mudanças que consequentemente repercutem no estatuto, nas carreiras, nas normas, na identidade profissional e no processo de produção dos jornalistas.

Essas mudanças suscitam análises distintas. Por um lado, constrói-se uma retórica “crise” da profissão. Por outro, emergem discursos em torno do papel libertador das novas tecnologias, da multiplicação de canais e das possibilidades de atuação profissional do jornalista. Esse duplo discurso (crise e renascimento) é recorrente na construção da identidade profissional dos jornalistas. Ora se ancorando na sociologia das profissões, compreendemos que as identidades profissionais tem a propriedade de serem constantemente elaboradas pela dialética da permanência e da mudança, dos anciões e dos modernos, do caos e da renovação. Entretanto, os jornalistas tem uma construção identitária original em relação a outros grupos profissionais: ela se fundamenta na moral. Isso se explica pelo fato de que os jornalistas não possuem um domínio exclusivo, nem um saber técnico específico. Os jornalistas foram bem ativos para objetivar fronteiras e competências próprias. Mas eles não alcançaram vitória e as transformações do campo profissional e midiático são testemunhos históricos. Por isso, atualmente a moral e o discurso deontológico, como modalidade identitária, adquirem mais importância: “todo mundo pode fazer jornalismo, mas somente os jornalistas tem a moral profissional para garantir a qualidade”, se entende cada vez que o espaço da atividade da informação se estende. É um discurso tipicamente comunitário, que não deixa de ter relações com outros “comunitarismos” que se desenvolvem em todos os lugares (“os franceses nativos”, a “preferência nacional”) e que, ao contrário do universalismo que conhecemos quando os jornalistas acreditaram na universalidade da deontologia, sem querer observar que as normas são definidas pela relação, logo necessariamente marcadas pelo local. É assim que a ligação se estabelece entre a identidade e a ética: a moral é contextual, e essa assertiva é dialética (a moral é trabalhada pelo contexto, e inversamente). Essa relação pode ser observada por diversos ângulos, como o estatuto, a carreira e o processo de produção.

A intenção do Colóquio é dar continuidade às discussões em torno da estabilidade e das mudanças estruturais no jornalismo iniciadas na UnB, em Brasília, em 2011, aplicadas agora ao estudo dos processos de mudanças no estatuto, na identidade e nas normas profissionais dos jornalistas. Este o tema do II Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo – Mejor 2013. Convidamos professores e pesquisadores de diferentes contextos nacionais para debater, na UFRN, cidade de Natal, Rio Grande do Norte, a temática do Congresso, que será dividida em três grandes eixos de discussão:

1º) Mudanças no estatuto do jornalista. A emergência de novos dispositivos tecnológicos (web 2.0, e emprego de tecnologias como tablets, smartphones e similares), a ampliação das áreas de atuação dos jornalistas (na docência, na comunicação organizacional, na produção de entretenimento), bem como as mudanças na estrutura das organizações midiáticas (com a introdução de redações integradas, dos processos de produção multiplataforma e outros mecanismos) parecem sugerir mudanças no estatuto do jornalista. Este eixo abre espaço para estudos que busquem analisar as mudanças de ordem estatutária no plano sociológico, simbólico, discursivo, organizacional, empresarial e relacional. Os trabalhos propostos podem se voltar para as investigações sobre as mudanças do grupo profissional; a evolução das representações articuladas (pelos jornalistas e por outros atores sociais) em torno das identidades; a forma como as mudanças na estrutura de trabalho e no processo de circulação de bens midiáticos moldam esses processos. Assim, os trabalhos podem tentar responder as seguintes questões: de que forma as evoluções dos estatutos dos jornalistas implicam em novas normas, e/ou como os novos valores transformam os estatutos dos jornalistas profissionais? As leis, as jurisprudências, as aplicações administrativas, as definições de emprego, as organizações do trabalho, o currículo da formação acadêmica, mudam: quais consequências essas evoluções têm nas normas? Inversamente, o lugar dos públicos, a competência das fontes, a espetacularização do discurso midiático, a relação com a temporalidade têm efeitos estatutários?

2º) Mudanças nas carreiras jornalísticas. Certos estudos de Sociologia das Profissões situam as carreiras como resultado de uma relação entre a trajetória individual e a dimensão coletiva do mundo social. Esta remeteria a fatores de ordem simbólica, econômica e social e delimitaria as modalidades de acesso e ascensão no interior do espaço laboral. Se efetivamente as carreiras são o resultado de uma relação entre as dimensões individuais e coletivas, isso pode significar que as trajetórias individuais podem ter uma incidência sobre as representações e modalidades sociais coletivas. Inversamente, as concepções dominantes trabalham necessariamente os percursos pessoais. Os trabalhos neste eixo de estudos poderão ser dirigidos para debater as seguintes inquietações: Atualmente, as carreiras são bem mais do que anteriormente, porosas (transferências com outros métiers), descontínuas, difíceis no início, quebradas no final, e paralelas (práticas múltiplas exercidas simultaneamente). Esse estado de fato tem um efeito sobre as normas? Como as normas são mantidas ou diferentes de um espaço/tempo a outro? Ter um rigor (ou não) na aplicação (ou no discurso) da moral tem consequências em termos de carreira? Poderão ser submetidos trabalhos também que compreendam análises sobre as mudanças nas modalidades de acesso e a mobilidade no interior da profissão, bem como sobre os mecanismos de gestão das carreiras profissionais nas relações que os jornalistas estabelecem entre si e com outros espaços e grupos sociais (por exemplo: fontes, públicos, intelectuais, políticos, empresários e universitários). Com as empresas sob o ritmo das fusões, da flexibilidade, da aceleração, da efemeridade dos processos de trabalho, temos funções que são extintas e outras atividades acumuladas por um mesmo profissional. Convergências tecnológicas que impactam na fusão de postos de trabalho antes distintos. A mobilidade e a ubiquidade das tecnologias que caracterizam o aumento das horas dedicadas e quebra de fronteiras do espaço de trabalho. A fragmentação e a descontinuidade das narrativas e a necessidade de conteúdos multimidiáticos impõem outros ritmos ao processo produtivo do jornalista.

3º) Identidade profissional e normas As regras de conduta de um grupo são relacionais, são processos de negociação, e também resultado de seus usos transacionais. Dito de outra forma, mesmo que alguns valores sejam ontologicamente associados a uma atividade (um médico, por exemplo, possui compaixão porque ele trata, um jornalista tem o respeito à verdade porque ele informa), as regras são contextuais. Pretende-se que os trabalhos enviados para este eixo proponham-se a fugir de uma abordagem apenas normativa de relação entre identidade e deontologia (“o bom e o mau jornalista” e os reflexos na “qualidade da informação”) para abrigar estudos que busquem vincular as mudanças identitárias e os processos sociais que permitem a construção e as transformações nas normas profissionais (os enunciados éticos, os atores envolvidos e os espaços deliberativos).

2. Prazos

Submissão dos resumos 15 de novembro de 2012
Divulgação dos resumos aceitos 21 de dezembro de 2012
Envio dos artigos 22 de fevereiro de 2013
Publicação das Atas do Colóquio abril de 2013
Realização do II MEJOR 7 a 10 de maio de 2013, na UFRN, Natal
Realização da Jornada de Estudos Olhares Cruzados 10 de maio de 2013, na UERN, Natal

3. Normas de submissão de trabalhos

3.1. Da originalidade

3.1.1. Os trabalhos devem ser inéditos. São considerados inéditos os textos que não foram publicados ou divulgados em formato de artigo em qualquer tipo de suporte, nem apresentados em outros congressos científicos.

3.1.2. Os trabalhos podem ser de autoria individual ou coletiva. Pelo menos um dos autores deve ter título de doutor

3.1.3. Terão preferência trabalhos que apresentem estudos empíricos.

3.2. Das modalidades de submissão dos trabalhos

3.2.1. Os resumos devem ser enviados redigidos em português, espanhol, francês ou inglês. Os resumos devem ter entre 400 e 500 palavras e apresentar até 5 (cinco) palavras-chave. Devem trazer a problematização do objeto analisado, o referencial teórico-metodológico e os resultados da análise – exceção feita a ensaios ou artigos de revisão bibliográfica.

3.2.2 Os resumos serão avaliados dentro do sistema de revisão paritária cega pelo comitê científico do Congresso. Serão utilizados os seguintes critérios: originalidade; relevância para a área; adequação ao tema do Colóquio; domínio e pertinência da bibliografia; adequação teórica e metodológica; clareza, coesão e cumprimento das exigências formais da linguagem científica. Serão selecionados até 30 trabalhos.

3.2.3 Os resumos devem ser enviados somente pelo site www.mejor.com.br e dentro do prazo estabelecido no item 2.

3.2.4. Para assegurar a revisão cega, os resumos não devem conter nenhuma indicação que possa permitir a identificação do(s) autor(es). A primeira página deve conter identificação, instituição, currículo resumido do autor (até 3 linhas), endereço de e-mail do(s) autor(es); essas informações não serão enviadas aos membros do comitê científico que irão avaliar as propostas.

3.2.5. O(s) autor(es) dos resumos aceitos devem entregar o texto completo dentro do prazo estabelecido no item 2. Os artigos devem ter entre 30 e 40 mil caracteres. Podem ser redigidos em uma das seguintes línguas: português, inglês, francês ou espanhol.

3.2.6. Os artigos devem ser enviados somente pelo site www.mejor.com.br.

4. Da publicação dos trabalhos nos Anais do evento

4.1. Todos os artigos aprovados para o evento serão publicados eletronicamente nos Anais do II Mejor.

5. Seleção de trabalhos para o Dossiê "Jornalismo e Identidade"

5.1. A comissão científica do Mejor 2013, em parceria com a comissão editorial da revista Brazilian Journalism Research (BJR), publicada pela SBPJor (Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo) identificará e selecionará artigos (textos completos) que, por sua pertinência ao tema do evento, relevância científica, explicitação do problema de pesquisa ou objetivo, adequação e atualização da bibliografia de referência, qualidade da reflexão teórica, explicitação e consistência da metodologia, poderão incluídos no dossiê ‘Jornalismo e Identidade’ da Revista BJR, prevista para ser publicada no segundo semestre de 2013.

5.2. Em caso de seleção, a tradução dos artigos para o português e o inglês ficará a cargo dos respectivos autores e deverá ser feito conforme o calendário que será previamente informado pela comissão editorial da BJR.

6. Jornada de Estudos “Análise de terrenos diferenciados nos estudos sobre o jornalismo”

Está incluída na programação do evento a realização de uma jornada de estudos Análise de terrenos diferenciados nos estudos sobre o jornalismo. O evento será organizado pela Réseau d’Études sur le Journalisme (Rede de Estudos sobre o Jornalismo), com a participação de convidados internacionais. O objetivo da jornada de estudos é promover uma discussão metodológica e interdisciplinar sobre as possibilidades de comparar e analisar terrenos diferentes na pesquisa jornalismo. A partir da colaboração de pesquisadores de diferentes países, busca-se avançar nas discussões sobre as vantagens e limitações de se produzir estudos comparados entre realidades nacionais e regionais, entre suportes midiáticos ou análises diacrônicas sobre períodos históricos distintos. A organização da jornada está sob a responsabilidade do Prof. Dr. Fábio Henrique Pereira (Universidade de Brasília, Brasil) e da Profa. Dra. Florence Le Cam (Université Libre de Bruxelles, Bélgica)

7. Contato da Organização do Colóquio

7.1 A organização do Mejor 2013 está coordenada por Kênia Maia (UFRN), presidente da comissão organizadora, e Fábio Henrique Pereira (UnB), presidente da Comissão Científica.

7.2 A comissão organizadora do Mejor 2013 pode ser contatada pelo e-mail coloquiomejor2@gmail.com.

7.3 Mais informações e os anais do Mejor 2011 estão disponíveis no site www.mejor.com.br

Comissão Científica

Coordenação

Fabio Henrique Pereira, Universidade de Brasília (Brasil)

Denis Ruellan, Université de Rennes 1(França)

Membros

Anabela Gradim, Universidade da Beira Interior (Portugal)

Ana Carolina Rocha Pessoa Temer, Universidade Federal de Goiás (Brasil)

Antonio Lopez Hidalgo, Universidad de Sevilha (Espanha)

César Bolaño, Universidade Federal de Sergipe (Brasil)

Colette Brin, Université Laval de Québec (Canadá)

Claudia Quadros, Universidade Tuiuti do Paraná (Brasil)

Claudia Mellado, Universidad de Santiago (Chile)

Federico Subervi, Texas State University-San Marcos (Estados Unidos)

Fernando Oliveira Paulino, Universidade de Brasília (Brasil)

Florence Le Cam, Université Libre de Bruxelles (Bélgica)

Francisco Karam,Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)

François Demers, Université Laval de Québec (Canadá)

François Heinderyckx, Université Libre de Bruxelles (Bélgica)

José Ricardo Carvalheiro, Universidade da Beira Interior (Portugal)

Josimey Costa da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil)

Liziane Soares Guazina, Universidade de Brasília (Brasil)

Maria das Graças Pinto Coelho, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil)

Marialva Carlos Barbosa, Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)

Marie-Soleil Frère, Université Libre de Bruxelles (Bélgica)

Mozahir Salomão Bruck, Pontifícia Universidade Católica de Minas (Brasil)

Pere Masip, Universitat Ramon Llull (Espanha)

Roselyne Ringoot, Université de Rennes 1 (França)

Vincent Goulet, Université de Lorraine (França)

William Spano, Université Lyon II (França)

Comissão Organizadora

No Brasil

Coordenação

Kênia Maia (PPgEM/UFRN)

Membros

Adriano Gomes Lopes (PPGEL/UFRN)

David Renault (FAC/UnB)

Dione Oliveira Moura (FAC/UnB)

Itamar Nobre (PPgEM/UFRN)

José Ricardo da Silveira (DECOM/UERN)

Juciano de Sousa Lacerda (PPgEM/UFRN)

Marcília Luzia Gomes da Costa Mendes (DECOM/UERN)

Maria do Socorro Furtado Veloso (PPgEM/UFRN)

Valquiria Aparecida Passos Kneipp (PPgEM/UFRN)

Tobias Arruda Queiroz (DECOM/UERN)

Na França

Denis Ruellan, Université de Rennes 1 (França)

Realização:

Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Departamento de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Parceria:

Departamento de Comunicação Social da UFRN

Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB)

Réseau d’Études sur le Journalisme (Rede de Estudos sobre o Jornalismo/REJ)

Apoio:

Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (ALAIC)

Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom)

Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)

Patrocínio:

Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (Fapern)

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